
A noite é negra como a fome, a fome da alma que tem sede de entender e não entende… é-lhe negado o direito ao entendimento e ela desmaia no canto da casa quieta e escura e vazia…e ali jaz, transparente, as entranhas vislumbrando-se, mas desaparecendo em seguida e o coração vislumbrando-se-lhe, mas desaparecendo em seguida… até que nada resta no interior, só angústia e só dor… e loucura e desespero calado, quieto, silencioso… no canto da casa vazia o nada apodera-se da alma, torcendo e entrelaçando tentáculos que perfuram… perfuram o corpo até chegarem à alma que não existe e o nada propaga-se como uma praga, injectando o seu veneno na sua presa, o veneno do nada e do vazio… apenas o vento uiva lá fora e ao longe relâmpagos de tempestade iluminam os céus como quem anuncia o final dos tempos…

